Promotor apresenta projeto do MPPE contra as drogas no Ceará

25/05/12

Uma convocação da população e do Poder Público do Ceará para integrar uma corrente na luta contra as drogas. Foi assim que o promotor de Justiça do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) Carlos Eduardo Seabra encerrou a palestra proferida em Fortaleza (CE), na manhã de quinta-feira (24), na sede do Ministério Público Cearense (MPCE). O encontro teve como objetivo o lançamento do Comitê Estadual de Enfrentamento às Drogas do MPCE. O Comitê foi inspirado no projeto do MPPE, idealizado pelo promotor de Justiça, “Pernambuco contra o Crack”. O projeto, que teve início no município de Arcoverde, no Sertão Pernambucano, conseguiu diminuir em 62,7% o número de adolescentes envolvidos com o tráfico e consumo de drogas na localidade.

No evento, o procurador-geral do MPCE, Alfredo Ricardo Machado, fez o discurso de abertura, seguido pela vice procuradora-geral, Eliani Alves Nobre. Na ocasião também foram apresentadas as Comissões que integram o Comitê e palestra do médico-reitor da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Jackson Sampaio. Segundo o especialista em psiquiatria clínica, a luta contra as drogas é um processo complexo. “O ritmo da droga é mais ágil do que o desenvolvimento cultural e do que o Poder Público pode atuar. É preciso saber também como tratar a dependência já instalada”, destacou, acrescentando acreditar no modelo de tratamento de dependentes químicos adotado pelo governo espanhol. “Nós ainda não sabemos como fazer esse tratamento dos dependentes, mas estamos tentando. Uma fórmula para vencer essa etapa está na liberdade com responsabilidade, acrescida de criatividade, alegria de viver, o corpo em movimento, e educação. É na formação desses processos que está o grande eixo”, explicou.

Em seguida, o promotor de Justiça do MPPE fez um cronograma de todos os passos adotados em Pernambuco, quando do lançamento do projeto piloto desenvolvido no município de Arcoverde. O promotor de Justiça explicou o que o levou a idealizar um projeto como este. “Vi que a situação lá no município era dramática, situação de guerra. Precisava fazer alguma coisa para mudar aquela realidade. O crack precisa ser enfrentado com coragem, porque o seu avanço é rápido, por ser uma droga barata”, disse.

Segundo Carlos Eduardo, o primeiro passo foi convocar uma audiência pública, levantar os programas sociais existentes e mapear os locais de maior ocorrências de tráfico e consumo de drogas. A partir desse momento, o promotor de Justiça passou a mobilizar a sociedade e Poder Público para que agissem em conjunto, em prol da diminuição do avanço das drogas no município. “Nós que queremos fazer alguma coisa temos que nos articular, nos unir, porque se começarmos desunidos, provavelmente, já começaremos derrotados”, avisou.

Para o promotor de Justiça, é preciso se integrar a comunidade e participar ativamente, convocando escolas, igrejas e programas sociais a fazerem parte dessa corrente. “Ao chegar nas comunidade, tive que aprender a me comunicar, a comportar, para poder atingir o público. Fui eu que tive que me inserir nesse contexto social e não eles se inserirem em algo que não conhecem”, explicou, acrescentando que o professor é o agente que possui maior poder de mudança social.

A integração e participação das escolas foi parte primordial no projeto pioneiro. Jogos escolares e feiras de ciências foram alternativas encontradas para envolver e mostrar aos jovens o poder destruidor das drogas. “Fizemos concursos de redação e cordel e no final do ano uma grande feira, que reuniu 38 escolas. Cinco mil alunos marcharam pela cidadania nas ruas de Arcoverde e visitei 90% das escolas do município”, ressaltou.

Como a campanha é permanente e deve ir se adaptando as necessidades, atualmente, estão sendo desenvolvidas capacitações para agentes comunitários de saúde, professores e pais. Ao final da palestra, depois de apresentar a iniciativa do Sertão pernambucano, o promotor de Justiça convocou a população cearense para trabalharem juntos em prol da juventude, na luta contra as drogas e principalmente contra o crack.

Debates – Depois de ser elogiado pelo ideal de servir e de cidadania, o promotor de Justiça foi aplaudido ao se colocar a favor da internação compulsória de casos graves de dependência química. Entre os questionamentos do público presente estavam o resgate da autoridade do professor, a situação das comunidades terapêuticas e o envolvimento da família no processo de prevenção e cura.


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