MPPE lança livro sobre racismo institucional durante Semana do Ministério Público

11/12/13

Saber onde se esconde o racismo dentro de cada um de nós não é tarefa fácil, visto que o Brasil sustenta-se sobre a ilusão da democracia racial. Ainda pior e mais cruel é quando as instituições praticam o chamado racismo institucional. Para discutir o tema e comemorar os 10 anos de atuação do Grupo de Trabalho sobre Discriminação Racial (GT Racismo) do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) foi lançado, na última segunda-feira (9) o vídeo Racismo Institucional e o livro No país do racismo institucional, de autoria da jornalista Fabiana Moraes, durante a Semana do Ministério Público.

O lançamento dos produtos do GT Racismo foi feito sob os olhares e aplausos de promotores e procuradores de Justiça, além de servidores da Instituição, integrantes dos GTs Racismo das Polícias Civil e Militar, de estudiosos, pesquisadores e integrantes do Movimento Negro de Pernambuco. Na ocasião, o procurador-geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon de Barros, disse estar feliz com a participação maciça da Instituição no evento. “Estou feliz com esse processo de integração. Nós precisamos estar mais perto do outro e dialogar mais. O principal papel do Ministério Público é servir à sociedade”, afirmou. Sobre o livro, o procurador-geral de Justiça destacou que não existe nenhuma publicação do tipo no país, que tenha sido encabeçada por uma instituição como o Ministério Público.

Já a coordenadora do GT Racismo do MPPE, procuradora de Justiça Maria Bernadete Azevedo, fez alusão à palestra sobre Felicidade Interna Bruta. Ela ainda destacou que a discussão do racismo institucional tem que ser se ampliada, não só dentro do MPPE, mas para outras instituições. “Hoje é um dia de festa para o GT Racismo. Além de estarmos comemorando 11 anos de atuação, ainda estamos lançando o livro No país do racismo institucional, que é como se fosse um filho para os integrantes do GT Racismo”, comemorou.

Após a apresentação do vídeo Racismo institucional, o promotor de Justiça Fabiano Beltrão fez uma homenagem ao promotor de Justiça Thiago Farias, morto em outubro deste ano. No vídeo, Thiago é um dos primeiros a prestar depoimento sobre a atuação do MPPE na luta contra o racismo. “Tenho certeza de que este não é o único vídeo que Thiago gravou, pois ele nunca se negou a falar sobre a nossa árdua e gratificante missão. Se há palavras com que eu possa descrevê-lo e representá-lo são emoção e paixão, porque ele era um apaixonado pelo Ministério Público e pelo ofício de promotor de Justiça”, emocionou-se.

Após a homenagem, a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Liana Lewis, autora do prefácio do livro, falou um pouco sobre o trabalho. Em seguida passou a palavra para a representante do Movimento Negro em Pernambuco, Vera Barone. Para Barone, o GT Racismo do MPPE se propôs a discutir aquele que é o maior mal histórico: o racismo. “Nós identificamos que pela primeira vez nesse Estado temos um parceiro verdadeiro, que identificou e procura tratar isso dentro da sua instituição e nos inspira. Entender que o racismo existe e que precisa ser enfrentado é o primeiro passo para a democracia plena neste país”, destacou.

O encerramento do primeiro dia de comemorações foi feito pelo secretário-geral do MPPE, promotor de Justiça Carlos Guerra, que lembrou a morte do líder negro, Nelson Mandela.

No país do racismo institucional – O livro escrito pela jornalista Fabiana Moraes e produzido pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e pelo Instituto do MPPE (IMPPE) é fruto do trabalho do GT Racismo do MPPE, que convidou a repórter para escrever a publicação depois de conhecer o trabalho da jornalista sobre tema em outras publicações.


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